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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Perdas

Esse post vai contra a minha intenção ao criar esse blogue.

Ao ler blogues sobre HIV não gostei do que encontrei na época. Li muitos textos de pessoas se vitimizando, postagens tristes.

Obviamente não há nada de bom ao ler em um papel que você possui um vírus para o qual não existe cura, com o qual você terá que conviver pro resto da sua vida. Entretanto, como já expus aqui, não é uma sentença de morte. Os medicamentos atuais permitem que o soropositivo tenha uma vida normal.

Hoje, mais de uma década após descobrir que eu sou soropositivo, sinto raiva.

Perdi meu avô há pouco tempo, o que gerou um mar de sentimentos. Me senti tolhido do meu luto, pois para que minha avó (já separada dele desde que nasci) não desmoronasse, foi decidido que a morte dele não fosse revelada para ela.

Me vi essa semana sem a menor vontade de ir à análise, mas fui ainda assim. Foi uma sessão bastante produtiva, onde falei de diversas coisas que me irritavam.

Pela primeira vez em todo esse tempo senti raiva. Estava com raiva de ter contraído o vírus, afinal nunca fui um cara promíscuo e sempre me protegi, com exceção da relação na qual a infecção ocorreu.

Perdi meu avô, mas me dei conta de que já perdi muitas pessoas queridas, que perdi muitas oportunidades e que também perdi fases do luto… não me refiro ao luto da morte, mas ao luto de me descobrir HIV positivo.

É mais que natural passar por um processo de tristeza, de raiva e todas as outras fases do luto quando nos descobrimos portadores do HIV. Contudo, ao invés disso, foquei em consolar amigos e família, em me alienar ao lidar com os problemas alheios para não ter que lidar com o meu.

Sentir isso é natural e saudável, para que possamos seguir adiante.

Agora sinto que posso virar uma página e continuar minha vida, pois ficar remoendo e me vitimizando não trará nada de positivo.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Tirando o melhor das situações

Hoje foi um dia triste.

Não há perda sem dor.

Meu avô faleceu ontem e hoje ocorreu o velório e enterro.

É sempre difícil o adeus, porém há que se ver além.

No cemitério me vi cercado por amigos e familiares muito queridos. Primos com os quais vivi momentos muito felizes e que passei a encontrar apenas nas horas difíceis. Nas horas de perda de entes queridos.

Ainda que em um momento de fragilidade, estar junto foi algo confortante, e posso até mesmo dizer prazeroso.

O que poderia fazer então?

Através de redes sociais comecei um conversa com meus primos com o intuito de marcar encontros periódicos. Afinal devemos aproveitar a companhia daqueles que nos fazem bem em momentos alegres também.

Minha iniciativa pareceu lograr êxito e já temos um primeiro encontro marcado.

A vida é isso. Momentos difíceis e momentos felizes.

Temos que viver a vida em sua plenitude, com as dores e alegrias, sofrimentos e amores. De outra forma a vida não teria sentido.

Assisti um filme que me fez refletir muito sobre isso. Segue a sugestão abaixo, com conteúdo retirado de “By Star Filmes”:

O Doador de Memorias

The Giver
(2014) 97 min (12 anos)

Em 2048, depois de mais uma grande devastação na Terra, causada pela violência, a humanidade avaliou que emoções eram perigosas para a paz. Decidiu-se eliminar os sentimentos fortes e minimizar as diferenças individuais para evitar sofrimentos e guerras. Todos os habitantes de uma comunidade da América do Norte tiveram suas memórias apagadas, exceto um guardião de memórias, que deveria usar seus conhecimentos e lembranças para orientar o Conselho de Idosos. Os jovens nesta sociedade não escolhiam sua profissão, eram encaminhados para determinadas carreiras, de acordo com uma avaliação de suas tendências. O treinamento das crianças incluía obediência, gentileza e absoluta sinceridade. Além disso, todos os habitantes recebiam diariamente uma dose de certa substância que induzia um estado de calma satisfação.

A unidade familiar do adolescente Jonas incluía pais e um casal de irmãos. Nas horas vagas o jovem divertia-se com os amigos Asher e Fiona, com quem também trabalhava num centro de cuidados para bebês. No dia da formatura todos se surpreendem quando Jonas é escolhido como o novo "Receptor da Memória". A partir deste momento deveria frequentar a casa do "Doador de Memórias", que morava isolado e podia descumprir algumas regras da comunidade. Embora não devesse compartilhar detalhes de seu treinamento, Jonas sente algo especial por Fiona e lhe revela suas descobertas sobre os sofrimentos e alegrias do passado, além de algumas práticas perturbadoras do presente.

Essa sociedade "pacífica", que não suportava a violência, elimina os indivíduos indesejáveis de qualquer idade com injeções letais, belas imagens e musica suave. Jonas não pode suportar a ideia de perder o choroso Gabriel, que conheceu no centro de cuidados com bebês, e resolve fugir com ele. Tanto Jonas quanto o Doador de Memória avaliam que a comunidade seria mais humana se fosse possível devolver às pessoas suas lembranças, mas o Conselho de Idosos discorda e fará de tudo para impedi-los.

Por que será que tantos roteiristas de cinema imaginam um futuro em que trocaremos nossa liberdade pelo bem-estar fornecido por uma sociedade controladora? "O Doador de Memórias" é mais um filme a nos mostrar que nenhum bem-estar material vale a pena, se tivermos que abrir mão de nossa capacidade de decidir e de ter acesso à realidade dos fatos.